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Relato de Parto MGCM

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Lindo relato de parto postado no facebook por uma mãe HypnoBirthing, para comemorar o primeiro aniversário da filha primogênita 🙂

Há 1 ano atrás eu estava em uma espera paciente de quem sabe que ela chegaria no tempo dela, ainda que muitos insistissem em perguntar porque tanta demora, me fazendo um convite para ficar ansiosa, todos os dias, a todas horas. Mas nossa conexão não era só a do cordão e de algum jeito eu entendia que não podia controlar, só propiciar e preparar tudo por aqui para que ela tomasse coragem de sair para este mundão, sabendo que praquele aconchego plural ela não mais voltaria.

E então eu acordei diferente, acordei e descobri que aquele era o dia. 42 semanas. Não falei nada para ninguém, fiquei sozinha curtindo o que seria o começo de uma grande sinfonia: da alegria a tristeza, da dor ao prazer, da espera ao encontro, do silêncio às lágrimas, do riso a contenção, do começo ao fim. Eu curti aquelas contrações que não doiam nada, eram como ondas que conforme passavam, mais perto me traziam dela. Percebi como se fosse matemática que ela era quem comandava tudo aquilo, ela dava o tom, era a maestra, eu só tinha que dançar. E que dança foi aquela? As horas foram passando, a barriga increvelmente foi crescendo mais, eu estava redonda e parecia trazer o mundo todo em mim. O meu mundo. E o dela. 10, 11, meio dia, 2, 3, 4, as 5 o Marco chegou e eu falei: amor, acho que hoje ela vem. Eu já sabia que ela estava na descida, mas não queria assustá-lo. Então eu tomei guaraná e me recolhi, me senti como minha primeira cachorra, a Chiquita, quando foi ter seus cachorrinhos- ela ficou na toquinha, quietinha, e deu cria, me lembro como se fosse hoje e eu tinha uns 6 anos, foi no dia em que Trancredo morreu. Bom, agora era eu que estava recolhida: eu ia dar cria. 
Às 10 da noite aquelas ondas eram muito compassadas, era hora de chamar a querida Lucia Desideri Junqueira que me abriu os olhos pra tantas coisas antes e que me ajudou a permitir que aquela sinfonia acontecesse, ali, diante do meu marido, da minha mãe, do meu pai, que me acompanhavam no que seria a maior experiência da Vida. Em um momento tudo se transformou, eu já não sabia que horas eram, não sabia o que acontecia a minha volta, me lembro de abraços fortes com a minha mãe que me davam força, me lembro do olhar cuidadoso do Marco todo o tempo, do toque, das palavras, do carinho da Lucia. E então fomos para o hospital as 5 da matina e depois de algumas horas sofridas, é preciso dizer, ela foi se aproximando…. Diziam: força, a cabecinha já esta aqui. E eu em um silêncio concentrado, o mesmo daquele dia todo, me concentrava em tentar ajudá-la a vir para fora e finalmente, às 9:13 da manhã ela brotou. Não nasceu chorando, mas urrando, clamando com a exatidão de quem sabe que aquele mundo também é seu. Todos choravam, eu estava atônita, quase em um transe, demorei uns minutos para cair em mim e começar a descobrir o que ela era: a definição de amor só se concluiu para mim naquele momento. O amor pleno, repleto, indelével… Esse eu só descobri naquele dia. 
Quase um ano se passou desde aquele 13 de setembro e eu não consigo acreditar. Olho pra ela e penso que queria q o tempo parasse para que ela seja minha bebê pra sempre. Mas tem um outro lado que deseja que ela experimente tudo, que ela viva coisas lindas, que ela explore esta vastidão de mundo, que ela seja livre e curiosa, que faça suas proprias descobertas. Ela ainda não sabe mas me deu o maior presente. Sabe o que é se renovar no amor todos os dias? Desejo que um dia, vc saiba. Desejo que um dia, ela também saiba. 
Filha, você completa 1 ano aqui fora e sabe o quê? Só quem carrega a vida em si, tem o dom de ensinar o que de belo e intenso ela tem. Obrigada minha filha por ser também essa maestra e que Deus te abençoe sempre. 
Deixa a mamãe agora ir chorar um pouquinho, aqui no cantinho, porque essa sinfonia …. Segue tocando aqui no peito. 

Relato de parto escrito por MGCM, mãe da aniversariante, que

realizou o Curso de Preparação para o Parto HypnoBirthing

em Agosto de 2014 no formato particular e teve seu

“parto dos sonhos” em Setembro de 2014.

Relato de Parto – PF

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Lindo e sincero relato de parto HypnoBirthing 🙂

Escrito voluntariamente, para ajudar as pessoas a entenderem o real e mais importante foco do HypnoBirthing: conecxão! Com o bebê ainda não nascido, com o corpo, com a família! Durante a gestação, durante o parto, no pós-parto, para a vida toda! Abrindo as portas da mente, sem criar expectativas!

Obrigada querida PF, foi um prazer estarmos juntos e ter suas palavras aqui! 😉

 

Olá gente! 
Primeiro quero parabenizar a Lucia, queridíssima, pelo lindo trabalho que faz com as nossas famílias! Vou carregar para sempre no meu coração!
Segundo, gostaria de fazer um relato de como foi a minha experiência.
A Alice nasceu em 17/10/2014, num parto humanizado hospitalar com analgesia.
Com analgesia?!?!?! Sim, e eu vou explicar o porquê. 
Tudo corria lindo e maravilhosamente bem, até que na 38a semana, a minha pressao começou a subir. Sempre foi 10/6, 11/7 e foi para 13/9. A minha obstetra entao pediu para eu fazer um exame para descartar a possibilidade de pré eclâmpsia, e medir novamente a pressao no dia seguinte. Se a mínima ainda estivesse igual ou maior que 9, ela sugeria que induzissemos o parto, pois quando a pressão começa a subir no fim da gravidez, ela sobe de uma vez, e por enquanto ela estava numa pressão alta, mas segura. No dia seguinte deu 15/9, ela entao, com o meu consentimento, me examinou e viu q eu ja tinha 1 dedo de dilatação, colo amolecido, etc. Entao fomos para a maternidade para iniciar a inducao do parto, colocando um comprimido intravaginal. Bom, estavamos só eu e o meu marido, eu ouvindo as gravações, quarto escurecido, tudo lindo. As ondas entao começaram fraquinhas e foram evoluindo lentamente. Tudo estava encaminhando para um lindo trabalho de parto, nao fosse o fato de eu estar num hospital onde a cada x tempo entrava uma enfermeira para tirar a minha pressao. E era sempre no meio de uma onda.
Até aí tudo bem, eu ainda conseguia fechar os olhos e respirar. Mas aí volta e meia elas vinham com aquele aparelho de ouvir as batidas do bebe, toco sei la oq. Aí acende a luz do quarto, liga o aparelho, pergunta isso, pergunta aquilo, e aí já era, perdi a concentração total. Mas como as ondas estavam fracas, não me importava muito, ate que 6 horas depois de ter colocado o comprimido as ondas começaram a vir cada vez mais intensas, foi quando chegou meu anjo, Lucia! Que com suas mais maravilhosas me ajudava muito! Mas como eu disse, ja tinha perdido a concentracao, e entre uma onda e outra é como se nada estivesse acontecendo, entao eu conversava e quando percebia la vinha outra onda. E no meu caso, ainda tinha um adicional. A Alice estava tão encaixada que a cabeça dela pressionava o meu colo, empurrando-o para trás, “atrapalhando” o processo de dilatacao. Nesse caso a obstetra, com o meu consentimento e muito delicadamente, puxava o colo para frente, mas a pressao da cabecinha dela era tanta que empurrava para trás de novo. Diz a medica que isso me fazia sentir ondas mais “intensas” do que deveria ser…. Nao sei…
Bom, as ondas começaram a ficar bem menos espassadas, e eu já nem lembrava mais oq era respirar, e por volta das 23h eu entreguei os pontos e pedi pela analgesia. Nao me arrependo, porque depois que tomei a analgesia eu consegui relaxar, a medica puxou novamente o meu colo e logo a dilatacao foi para 9 cm. 40 min depois a Alice vinha ao mundo. Eu, sentada na cadeirinha de cocoras, amparada pela querida Lucia, e meu marido sentado no chão, a minha frente, ao lado da médica, recebendo a Alice diretamente em suas maos e entregando ela para mim. Foi lindo! Um momento unico que fez tudo tudo tudo valer a pena!
Aí voce diz “legal, mas entao de que te serviu o hypnobirthing?!”
Olha, eu posso nao ter feito as respirações, nem ouvido as musicas ou feito as visualizacoes, mas a companhia do meu marido ali do lado, a calma dele, a calma que ele me passava, a consciencia dele de tudo o que estava acontecendo, a participacao dele, enfim, foi tudo gracas ao hypnobirthing. Durante o curso a gente nao aprende só a respirar, a gente fortalece aquele laço que tem com o parceiro, nao sei bem explicar, só vivendo para entender. Eu sei que ficamos mais unidos, mais sintonizados. Ele participava de tudo da garvidez nao como coadjuvante, como protagonista. Nao tive o parto que idealizava, sem anestesia e em casa, mas tive o parto dos meus sonhos, onde eu, minha filha e meu marido fomos respeitados e amparados a todo o momento. Eu nao pari sozinha, eu pari com o meu marido e com todo mundo que estava comigo naquela sala, me dizendo palavras de conforto e de incentivo. 

Relato de parto escrito por PF, mãe de primeira viagem da Alice que

realizou o Curso de Preparação para o Parto HypnoBirthing

em Setembro de 2014 no formato particular e teve seu

“parto dos sonhos” em Outubro de 2014.

Relato de Parto – FM

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RELATO DO PARTO DO TOM

Em março de 2014, depois de dois anos tratando a endometriose, parei de tomar a medicação que suspendia minha menstruação. Decidimos tentar engravidar. Em menos de um mês estávamos grávidos. Porém essa alegria durou pouco mais de nove semanas. Um aborto espontâneo retido nos tirou o chão. Deixei tudo acontecer naturalmente, senti as contrações e dores do parto e enfim, não estava mais grávida. Pensei em desistir da ideia de parto natural.
Três meses depois, a alegria tomou conta da nossa casa novamente. Passadas as temidas nove semanas, comemoramos e começamos a nos preparar para curtir a gravidez de verdade e para o parto natural. A essa altura, eu já havia desistido de desistir do parto natural. Afinal, natural é natural e esse sempre foi meu sonho.

Procurei uma equipe humanizada e começamos a frequentar as reuniões na Casa Moara, as quartas-feiras. O Felipe sempre me acompanhou e foi assimilando, aceitando e adorando a minha escolha. Tudo correu maravilhosamente bem durante as 40 semanas e 4 dias de gestação.

Foi na Casa Moara que tive conhecimento do Hypnobirthing e me inscrevi no curso. Foram dois encontros e neles aprendemos técnicas de meditação que ajudariam no TP. Aprendemos também técnicas respiratórias, massagens e posições para alívio da dor. No primeiro encontro do curso eu já estava com 34 semanas, então eu “treinei” quase que todos os dias ate o final. Quando chegava do trabalho, fazia a meditação do arco-íris, repetia as frases e conversava muito com o Tom.

Completei 40 semanas no sábado, dia 27 de junho, mas nem sinal de TP. Eu tinha consulta na segunda-feira, dia 29, estava tudo tranquilo, apesar da minha pressão estar levemente aumentada e havíamos combinamos com a médica de induzir na sexta-feira, dia 03/07, caso o TP não iniciasse naturalmente. Na segunda-feira, a Dra. Andrea fez uma massagem no colo, descolou uma aderência e me orientou a fazer uma sessão de acupuntura. Fui à sessão na terça a tarde, foi muito bom.

Voltamos para casa, jantamos e nem sinal do Tom querer sair do quentinho. Fomos dormir e quando foi meia noite eu senti uma dorzinha. Fui ao banheiro e percebi que meu tampão estava saindo. Voltei pro quarto e fiquei quietinha, sentada na cama. Percebi que as contrações estavam ficando fortes muito rapidamente, então acordei o Felipe as 12:43 exatamente. Avisamos a doula, que pediu para monitorarmos e enviarmos o relatório a ela.

Comecei ter contrações ritmadas logo e as 3 da manhã a Raquel (doula) chegou em casa. Eu já estava com as contrações de 5 em 5 minutos e usando muito as técnicas de respiração aprendidas no curso de Hypnobirthing. O tempo todo o Felipe esteve ao meu lado e me ajudava a lembrar dos exercícios, daí a importância do parceiro fazer o curso também.

Amanheceu e parecia que meu TP não evoluía, então a doula me perguntou se poderia ligar pro acupunturista para vir em casa fazer mais uma sessão. Acupunturista e enfermeira a caminho de casa. A Priscila (obstetriz) chegou primeiro e quando monitorou minha dilatação: Meu Deus, quase 9 cm…vamos agora pro hospital. Cancela a acupuntura.

Fomos no carro, eu, o Felipe e a Raquel. A Pri foi no carro dela. O Felipe ligou o pisca alerta e fomos pelo corredor de ônibus. Moramos na zonal sul de SP e o hospital fica no Pacaembu. Quarta-feira, entre 9 e 10 da manhã, muito transito (ganhamos de presente 4 multas, mas iremos recorrer). Cada contração que vinha, me dava uma vontadinha de fazer força e a Raquel falava: “Não faz força que o Tom vai nascer aqui no carro”. Chegamos no Samaritano e já entrei sem passar pela triagem.

Dor intensa, cardiotoco e “lembra de respirar”. Subimos para o quarto do hospital e a imagem que não sai da minha cabeça: minha equipe maravilhosa transformando o quarto do hospital em um ambiente acolhedor pro nosso pequeno (nem tão pequeno assim) chegar. Empurra a maca, afasta o sofá, tira a mesinha, apaga a luz, acende o abajour de luz vermelha e senta na bola. Entra no banho, sai do banho, senta na bola, volta pro banho com a bola…e nem a bolsa havia rompido ainda.

Aceitei a ideia de encherem a banheira, o que infelizmente para mim não funcionou. Não gostei da sensação da água quente, não encontrei posição e fiquei muito pouco tempo dentro da água. O chuveiro funcionou muito melhor. Na banheira a Dra Andrea fez um toque e eu ainda estava com 9 cm, então minha bolsa rompeu e só então, o bebe desceu.

Durante o TP no hospital foi que eu realmente senti o que era a tal vontade de fazer força. “Incontrolavel”. Eu já estava exausta e pedi para a Dra Andrea que queria anestesia. Ela tentou me convencer do contrario, ate porque eu havia dito durante o pré natal que não queria anestesia, mas eu insisti. Então ela saiu do quarto e quando voltou me disse que em 40 minutos o anestesista estaria no hospital.

Vieram mais algumas contrações, os puxos cada vez mais fortes. Testamos a banqueta de cócoras e eu achei muito confortável. Então a Dra falou que só faltava a cabeça do bebe passar pelo colo e ai seria mais fácil. Então, eu na banqueta, fiz uma força enorme e com a ajuda da Andrea, pronto, passou a cabeça. “Chama a maca, vamos subir pro centro cirúrgico, liga pro anestesista cancelando, não faz forca no elevador que o Tom vai nascer”

De novo, o centro cirúrgico foi transformado na sala mais acolhedora que um hospital pode ter. Apaga a luz, forra o chão, afasta a maca, acende a luz vermelha, equipe sentada no chão e eu na banqueta de cócoras. E o Felipe ao meu lado, incansável. Fiz muita força, e a Dra falou para eu sentir o cabelinho dele, que emoção. Mas ele não nascia e eu achando que meu períneo estava todo rasgado, era essa a sensação que eu tinha.

Então a Andrea falou pra eu sair da banqueta e ir para o chão (sim, como índia, como a Juma Marruá, como eu sempre falei que teria um filho) e foi ai que a cabecinha saiu, as 17:02 do dia 01/07. Volta pra banqueta e mais umas duas ou três contrações, saiu o corpinho. A melhor sensação da minha vida.

Com o Tom nos braços, eu levantei, ainda com o cordão preso ao meu corpo, fui andando ate a maca. O Tom “escalou” meu corpo procurando o seio, exatamente como havíamos visto no vídeo no curso de hypnobirthing e havíamos duvidado que seria verdade, só não nos lembramos que somos bicho e bicho sabe o que tem que fazer.

Esperamos o cordão parar de pulsar, o Felipe cortou, Tom mamou na primeira hora, não foi aspirado, não teve colírio nos olhos e eu não tive nenhuma laceração. O Tom nasceu enorme, com 53 cm e 3.735 kg. Valeu o esforço, valeram as horas de epi-no, valeu o estudo, valeu tudo. Minha recuperação foi perfeita, o Tom é um bebe muito calmo, cheio de personalidade e não bastasse ter nascido como índio, ele adora ficar pelado.

Ainda não sabemos se teremos outro filho, mas passaria por tudo isso novamente, com toda certeza. Agradeço muito todos os profissionais que fizeram parte da minha preparação, agradeço a insistência e a paciência de cada um. A lição que tirei desse momento é que eu somos mesmo muito “raçudas”, fortes e que é uma delicia se sentir empoderada e mãe bicho. A natureza é muito perfeita.

 

Fernanda Miolaro

 

 

Relato de parto escrito por FM, mãe do Tom que

participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing

em Maio de 2015 e teve seu desejado parto natural

no hospital em Junho de 2015.

Relato de Parto – CH

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Este é um relato diferente… é na verdade um feedback sobre como o HypnoBirthing ajudou uma mulher a realmente se conectar com sua força interior para parir sua filha, tranquila e amorosamente… como é direito de todas, como é natural para todas, como felizmente o método incentiva e serve de ponte para quem já tem dificuldade de voltar para si e acreditar e apoiar no poder do próprio corpo…

Um casal lindo e integrado apareceu no curso de dezembro de 2014. Os dois muito bem informados sobre a humanização do parto e cheio de dicas e histórias para compartilhar com os outros casais presentes, que estavam todos em sua primeira experiência de gestação e parto… eles não! Eles estavam buscando um parto mais tranquilo do que aquele que vivenciaram ao trazer o pequeno filho mais velho ao mundo…

Ainda divididos entre a experiência anterior e tudo o que já acreditavam ser possível, realmente se entregaram e se abriram para os exercícios propostos e a possibilidade de um parto mais bacana… e voltaram para casa inspirados e prontos para colocar as técnicas em prática… poucos meses depois, o lindo resultado esperado 🙂

Olha só o email que eu recebi alguns dias após o parto 😉

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Escrevo pra contar que usei algumas técnicas do HypnoBirthing que me ajudaram muito no parto.
A bolsa rompeu às 19h, na praça do coco. Liguei pra uma amiga e vizinha que ficaria com Miguel (filho mais velho). Chegamos em casa, demos banho e janta, Tiago o levou na casa da amiga e, às 20h, começaram as contrações. Eloísa nasceu às 23:34h.
Fiquei todo o tempo no chuveiro e depois banheira. Não consegui fazer as respirações, tive dificuldade nos treinamentos, falta de ar e tal, e na hora das ondas não consegui fazê-las. Mas ouvi o tempo todo o relaxamento do arco-iris que o Tiago gravou pra mim e que ouvi várias vezes durante a gravidez. E usei muito as visualizações: fio de cetim, rosa abrindo, bebê descendo em “J” pelo caminho do nascimento.
Foi tudo muito intenso e rápido, e fiquei ali entregue. As pessoas que estavam comigo apenas observaram. Posso dizer que praticamente pari sozinha 😉
Beijos e obrigada!
Depois que perguntei para ela se poderia compartilhar texto acima, ela ficou com vontade de contar também com sua próprias palavras… e o fez em seu próprio blog! Segue abaixo o link para vocês se inspirarem, lembrar que sempre vale a pena acreditar e buscar mais!! 🙂
http://depoisqvireimae.blogspot.com.br/

“A dor do Parto” ou “Relatos de um parto normal sem anestesia” por Alice S.

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Alice S., linda gestante da turma de dezembro de 2014 decidiu contar um pouco de sua experiência com a “dor do parto”… publicado como nota em 17/04/15 para ajudar outras gestantes 😉

Lidar com o a dor não significa necessariamente passar por enorme sofrimento e penúria.

Quantas de nós já nos depilamos com cera quente, fizemos a sobrancelha com pinça, criamos calos com sapato desconfortável? Quantas de nós lidamos com a dor para ficar sem pelos, mudar o visual, desfilar naquele salto lindo? Isso sem falar nas cirurgias para por peito, tirar barriga e seus pós-operatórios.
“Alice, mas a dor do parto não se compara com um sapato apertado.” Claro que não, o sapato lhe tará apenas bolhas nos pés e as dores do parto lhe trarão teu filho.
Por isso antes de rejeitar a ideia de ter um parto normal por medo da dor, é preciso tomar um remédio poderoso: consciência. Estudar, ler e participar de rodas de grávidas é um bom caminho para trilhar ao longo dos nove meses.
Em janeiro deste ano de 2015 pari o Francisco. Parto normal, humanizado, sem anestesia, sem episiotomia, sem ponto, sem sofrimento e sem penúria. Meu primeiro filho, eu com 32 anos, ele com 3,5kg, nós dois na companhia do meu marido André que permaneceu ao meu lado durante as 3 horas de trabalho de parto.
O que eu mais ouço é “você é uma guerreira”, “nossa corajosa você” e na sequência logo vem: “eu não tenho essa coragem toda”. Não é preciso ser heroína para parir um filho, não precisamos passar por um campo de batalhas torturante, não é preciso coragem sobre-humana, basta um pouco de conhecimento sobre o assunto. Depois de assistir o filme “O Renascimento do Parto”, fiquei intrigada com tudo que vi e ouvi deste documentário – que aliás deveria passar periodicamente em praça pública! – então procurei um encontro de grávidas próximo a minha casa. André e eu fomos sempre que podíamos ao GAMA – Grupo de Apoio a Maternidade Ativa, na Vila Madalena em São Paulo. Lá tivemos contato com uma infinidade de informações, site, pessoas e todo apoio para alcançarmos a consciência de que não poderíamos ter outro parto senão o humanizado.
Foi num encontro do Gama que conhecemos a Lucia Junqueira e o HypnoBirthing: o método de auto-hipnose para o parto. Em um curso de três dias com mais sete casais aprendemos técnicas de respiração, relaxamento, massagens e exercícios, tudo para lidar sem traumas com as contrações do parto, ou as ondas, como passamos a chamá-las depois do curso.
É bem isso, uma onda chega, passa pelo teu corpo e vai embora. Se você estiver preparada, com a mente concentrada e o corpo relaxado, deixará a onda passar sem sofrimento, penúria ou traumas.
Para mim, a melhor parte era saber que a cada onda que passava o Francisco estaria mais próximo de chegar. Todos que estavam comigo durante o parto, além do André meu marido, minha mãe, irmã e toda a equipe, puderam ver o quanto eu estava tranquila, lidando com a dor como uma onda absolutamente suportável que vem e passa. Caminhava, bebia água de coco, comia chocolate, recebia massagem da Lígia (doula), entrei no chuveiro, visualizava as imagens e frases que espalhamos pelo quarto, ouvia as gravações que fizemos com as técnicas de relaxamento, tudo isso com a mente consciente, concentrada e o corpo relaxado, sem gritos descabelados, sem desespero, sem sofrimento e sobretudo, sem medo.
No final das contas entendi que o meu corpo e o corpo de todas nós é projetado para parir um filho; alias é exatamente projetado para parir aquele filho que a Natureza nos confiou, seja a gente gorda, magra, vivida ou cocotinha, seja o filho grande ou pequeno, nós somos capazes de parir nossos filhos e passar sem traumas pelas ondas que doem, mas nos fortalece.
Se você tiver dúvidas e quiser conversar mais, será um prazer, é só me chamar in box.
Beijos,
Alice
Foto – Final do parto, Francisco já coroado, a duas ou três contrações antes de nascer
Alice S

Relato de Parto – FR

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Foi no dia 12/01 (2015), uma segunda-feira, quando caiu uma chuva que deu um nó no trânsito de São Paulo…Eu comecei a ter cólicas um pouco fortes no final de semana, mas não sabia que essas cólicas poderiam ser as ondas.No domingo de noite, tive uma espécie de sensação de compressão no tendão da musculatura interna da coxa, e fiquei me perguntando se a bebê não tinha descido um pouco mais, se encaixado melhor, e se não estaria chegando a hora dela nascer. Eu estava com 39 semanas e 2 dias.

Na madrugada de domingo para segunda, tive muita cólica, e fiquei sonhando que eu estava em trabalho de parto. Acordei antes de amanhecer e tive uma diarréia. Foi aí que eu confundi tudo. Achei que a cólica, apesar de ser claramente menstrual, estivesse associada à diarréia. Tive 4 diarréias no decorrer do dia. A cólica aparecia sempre que eu levantava ou sentava e na maior parte das vezes, ela vinha numa “onda”: vinha a cólica, ela ficava intensa, super intensa, e aí passava. À tarde, começou a ficar mais intensa. Só que, como era dia de faxina, eu deixei o meu marido (nós dois trabalhamos em casa) cuidando de pagar e despachar a empregada, e fiquei na cama, de repouso, sozinha no quarto. Liguei para a minha mãe… quando eu contei tudo o que estava sentindo, ela me disse que eu estava em trabalho de parto porque com ela os sintomas foram iguaizinhos. Depois do curso de HypnoBirthing, eu gravei os relaxamentos com a voz dela, e isso teve  um efeito poderoso nessa hora. Falar com ela ao telefone me relaxou; ela perguntou se eu estava contando o tempo entre um aperto de cólica e outro. Eu falei que estava mais ou menos, que eu podia dizer que estava tendo poucas a cada hora, mas que doía muito. Ela falou para eu lembrar do curso, fazer as respirações, relaxar, e ligar para a doula e a obstetriz.

Eu mandei mensagem no WhatsApp para ambas, mas só mais tarde. Nesse momento, eu relaxei tanto que caí no sono. Dormi meia hora até acordar novamente com a cólica. Aí eu tive certeza que estava ainda bem no comecinho, porque claramente não era regular (antes de dormir, eu estava tendo mais do que uma cólica por hora, e elas não davam 30 minutos de intervalo, e sim bem menos). Aí a minha mãe ligou de novo, para saber se eu tinha avisado o meu marido, e se tinha avisado a obstetriz e a doula. Meu marido veio em seguida no quarto para saber como eu estava e eu pedi para ele dispensar a faxineira imediatamente, só que aí a dor foi ficando tão intensa que eu não tinha vontade de falar. Fui ao banheiro, sentei na privada, e percebi que doía menos se:
– eu ficasse lá… tentar deitar de novo na cama, nem pensar!
– eu não falasse nada durante a onda
– ninguém tentasse falar comigo durante a onda
– eu me concentrasse nas respirações, tanto entre as ondas como durante
– se eu pensasse na imagem da flor abrindo e relaxasse totalmente a musculatura abdominal
– se eu lembrasse da voz da minha mãe, calma ao telefone, falando para eu lembrar de respirar e relaxar, falando que eu era forte e que ia dar tudo certo

Aí a dor ficou totalmente suportável, a “cólica” era tolerável, era mais um desconforto do que uma dor. Ainda assim, na minha cabeça às vezes passava que talvez eu precisasse tomar anestesia, porque eu imaginei que estivesse muito no começo ainda (por causa dos 30 minutos que eu tinha tido há pouco sem contração), e que eu talvez tivesse que ficar mais de um dia nesse processo. As ondas eram meio irregulares, mas no geral vinham a cada 10 minutos. Depois foi ficando mais intenso e o meu marido ficou tentando falar com a doula e a obstetriz, sem ter certeza se eram ondas mesmo, no duro, por causa da irregularidade e por que eu não sentia nada além da cólica (tipo: “será que a onda é isso mesmo?” “O que vc acha amor?” E eu mostrava para ele o aparelho celular, onde tinha um aplicativo de contar o tempo das ondas e a única coisa que eu tinha que fazer era apertar o botão quando começasse e o outro quando terminasse).

A obstetriz estava em um parto e por isso ela ainda não tinha vindo me checar. E a doula, que conseguiu falar com meu marido, também achou que estava no começo, mesmo porque eu não conseguia falar com o meu marido e ele é uma pessoa muito calma. Ele não tinha pressa, achou que eu estava super tranqüila e também imaginou que fosse o começo. Ela pediu para ele perguntar se estaria tudo bem ela acabar um atendimento, e ela viria em seguida, ou se eu achava que não dava para esperar. Eu falei que tudo bem… afinal, o que eram 30 minutos num trabalho de parto que ainda estava no começo? E ela pediu para ele perguntar se eu não queria que ele chamasse a minha mãe, falou que ela estava muito preparada para ajudar nessa hora. Eu quis que ela viesse. Ele também tentou falar com a minha médica, e ela quis falar comigo ao telefone. Eu falei com ela como pude, entre uma onda e outra, e ela deu um apoio, falou que a obtetriz estava num parto mas que ela já estava vindo.Resultado: quando já anoitecia, e deu o nó no trânsito, a minha mãe estava a caminho de casa (ela mora na Aclimação, e eu, em Osasco), a doula estava tentando chegar, e a obstetriz idem. Só que as membranas foram liberadas, escorreu um líquido na privada, e as ondas ficaram muito frequentes. Eu comecei a sentir uma pressão lá embaixo, e foi aí que caiu a minha ficha: “Que anestesia que nada. Que começo de trabalho de parto que nada. Eu estava entrando em uma nova fase do trabalho de parto, e a bebê iria nascer naquele dia mesmo”.
Aí eu tentei sair da privada (não me pergunte porquê) e sentar na minha cama… percebi que meio reclinada era a pior posição para eu ficar, e de repente, numa onda, a minha barriga “ondulou” (foi a sensação que eu tive). Foi o primeiro momento em que senti algo além da “cólica”. Eu fiquei assustada, me ocorreu que ela poderia nascer antes de alguém conseguir chegar. Para o meu alívio, tocou o interfone e era a obstetriz. Eu pensei: “Pronto! Ela vai ver que eu estou com mais de 4 cm e nós vamos para o hospital”. Foi o que aconteceu. Eu estava com 9 cm, e ela me ajudou a me vestir. Nessa hora, as ondas eram sempre acompanhadas da ondulação na minha barriga e eu não conseguia falar mesmo (durante a onda, a minha voz era tremida, e entre as ondas, eu conseguia falar, mas era um grande esforço e eu só queria silêncio). Ela falou para eu tentar não fazer força. Para mim, era quase impraticável, e eu sentia muita pressão lá embaixo, no reto, e sabia que a cabeça dela estava descendo. Eu avisei a obstetriz e ela e meu marido saíram correndo comigo para o hospital.No carro, eu falei para a obstetriz que a bebê estava descendo. Ela tirou o cinto de segurança e as minhas calças, me fez reclinar um pouco, verificou que já dava para sentir a cabeça da minha filha; pediu para eu não fazer força, eu falei que não conseguia não fazer força – nessa hora, não consegui lembrar de fazer a respiração do curso, nem consegui controlar mais nada… era difícil concentrar em qualquer coisa com o meu marido buzinando e dirigindo correndo para tentar chegar ao hospital a tempo. Aí a bebê nasceu, na frente do Shopping Butantã, a 10 minutos do hospital, às 20:34 da noite. Isso foi tipo 15 minutos depois de a obstetriz ter checado que a minha abertura era de 9 cm. A obstetriz pegou a bebê, pegou a camiseta que o meu marido estava usando, tirou a bebê das membranas (sim, as membranas tinham se rompido mais cedo, mas elas se romperam só um pouquinho, na parte alta do útero, e por isso ela nasceu nas membranas) e a colocou sobre meu peito. Eu fiquei frustrada, porque eu queria que ela fosse para o meu peito, mas eu estava de camiseta. Eu não lembro do choro dela, não lembro da cara dela na hora que ela nasceu. Tudo o que eu lembro são as sensações. Ela estava lá, em cima da minha camiseta, toda molhada, e eu tentava segurar a cabeça dela que pendia de um lado para o outro a cada curva, a medida que o meu marido tentava chegar no hospital.Chegamos bem no hospital, um pouco com cara de loucos… imagine a cena: mulher sem calça no banco de trás, com um cordão pendurado, preso a um bebê no colo, homem com cara de louco, sem camisa, no banco do motorista. A única pessoa que conseguia se comunicar direito com a equipe do Einstein era a obstetriz, que avisou que a bebê tinha nascido no carro. Me colocaram numa cadeira de rodas, e para a minha felicidade, a equipe toda chegou logo em seguida. Aí a gente foi para o centro obstétrico, o meu marido pôde cortar o cordão, tiraram a minha camiseta, e etc. Eu tive uma laceração de grau 1 e a médica achou que nem precisava dar ponto. A bebê estava ótima 🙂

Minha mãe e meu marido ficaram um pouco frustrados por terem perdido o parto: minha mãe chegou em casa uns 3 minutos depois que a gente saiu para o hospital (e ficou na chuva esperando a minha irmã apanhá-la e ir com ela e meu pai para o hospital) e meu marido não pode ver a filha nascendo, só ouviu o grito dela. Muitas coisas foram bem diferente do que eu imaginei: eu tentei escutar o relaxamento do arco-íris, mas a única coisa que me acalmou foi a voz da minha mãe (a voz da minha gravação do relaxamento); meu marido tentou fazer massagem quando chegou no quarto, mas neste momento a onda era intensa demais para isso… eu só queria o chá gelado que estava na geladeira e silêncio completo; o trabalho de parto evoluiu muito mais rápido do que esperávamos, mas assim como eu sonhava, não tive dor nenhuma no hora do nascimento da bebê: só a senti passando pelo caminho do nascimento e nascendo! Durante o trabalho de parto, as ondas eram mais um desconforto do que uma dor. Tenho certeza que o HypnoBirthing fez a diferença 😉

Relato de parto escrito por FR, mãe de primeira viagem que

participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing

em Dezembro de 2014 e teve seu rápido parto natural

a caminho do hospital em Janeiro de 2015.

Relato de Parto – OOAR

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Mamães parceiras, é assim me que sinto aqui. A maternidade é um mistério lindo e ela me transformou. No dia 25.09, nasceu meu príncipe Romeo. Acho que ainda vai levar tempo para trabalhar o que aconteceu nesse dia.

Romeo veio de uma revista que li falando de nomes e quando bati o olho, amei. Ele iria se chamar: ROMEO.

Mudei de médico com seis meses de gravidez, buscando uma gravidez mais respeitosa, com mais amor. Passei por momentos de muita insegurança e muitos medos. Isso era atenuado nas aulas de yoga, num curso de meditação que fiz chamado HipnoBirthing® (esse curso me deu muita força interna), depoimentos de outras grávidas, na parceria do meu marido e no humor consciente do meu médico.
Sentia medo de ter que fazer outra cesariana (a minha filha estava sentada na minha primeira gestação). Queria muito entrar em trabalho de parto. Não conhecia o caminho. Não tive essa oportunidade.

Comecei a sentir fortes dores com 37 semanas. Achei que fosse parir, mas era o corpo se preparando. O médico viajou quando completei 40 semanas (tive o conhecimento disso desde do início), mas confesso que isso me deixou um pouco insegura.
Com 41 semanas, já estava chorando toda noite, com muito medo de não entrar no tão sonhado trabalho de parto. Fiz acupuntura, yoga, a médica descolou a membrana próximo do colo do útero e no dia seguinte comecei a sentir umas contrações em casa. Comecei a sentir por volta das 17horas e ficamos em casa. Esses foram os melhores momentos. Meu marido colocou Pink Floyd ( aquele da capa preta com um prisma fazendo o arco íris). Me fazia bem. Usei a bola, massagem. Tivemos um momento nosso, único. Até que as contrações começaram a ficar mais intensas e com intervalo regular.
Chegamos na maternidade por volta das 21hs. Estava com dor. Tinha que parar quando as contrações vinham, mas estava com apenas 3 de dilatação. Realmente o trabalho de parto não é nada romântico, nem glamoroso. É doloroso! Mas é uma dor que nos faz acordar, transcender, entrar em contato com energias mais finas, perceber a mágica do momento e a força que temos. O que mais dói não é a dor física, e sim a fantasia que criamos em cima dela.

Fui para a sala de parto com Fadynha, meu marido e a médica. Fiquei com meu marido e Fadynha na sala. Realmente não é palpável o que vou dizer, mas a vida não é né? Fui para outro lugar com a entrega que tive. Duas frases me marcaram, e realmente senti o poder que as palavras tem: “Quando a dor vier, aceite”, “Confie na sua capacidade de parir”. Palavras ditas por minha tia e meu médico. Pensei muito nisso e fui.
O trabalho de parto evoluiu lindamente. Não me senti à vontade em fazer quase nada ( em ficar na bola, não queria massagem, não quis ir para banheira…). Só sabemos as nossas necessidades na hora. Me fortalecia com a presença de pessoas que eu queria que estivessem ali.
Levei uma foto da minha filha, que tem 4 anos. Olhava, beijava e isso me deu muita força. O olhar emocionado e a disposição do meu marido foi encorajador. E gritava por Romeo.

Fiquei oito horas em trabalho de parto, evolutivo, rápido. As 1:56 da madrugada Romeo veio com uma expulsão dolorosa, cansativa mais suportável. Ele veio enrolado no cordão, gritando muito. Desenrolei o cordão, coloquei ele no meu colo.

Até que percebi que sangrava muito. Logo em seguida, uma sensação de desmaio. Pedi ajuda ao meu marido pra segurá-lo. Fui direto para a sala de cirurgia ao lado. Tive uma atonia uterina e laceração do colo. Depois da cirurgia, tive uma anemia aguda, precisando de duas bolsas de sangue. Foi muito estressante. Agradeço a equipe médica. O fato da equipe ser humanizada foi primordial. Agradeço a Fadynha, que ficou do meu lado o tempo inteiro e ao meu marido, que é médico ( tenho certeza que daqui por diante ele terá um olhar ainda mais afetuoso aos seus pacientes) e foi responsável pelo meu equilíbrio emocional.

Foi uma lição! Lição que estudo todos os dias para ver se um dia aprendo.
E Romeo com toda a sua fragilidade e dependência me trouxe muita força. Uma luz! Ele e Alice me fizeram e fazem perceber o quanto fui vitoriosa e o quanto a vida é misteriosa. Aceitar esse mistério, é aceitar o parto normal, sem dúvida.

Com amor,

OOAR

 

Relato de parto escrito por OOAR, mãe de Alice e Romeo.

Participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing em Maio,

realizou o sonho do parto natural em Setembro e nos brindou

agora com este relato de parto forte, de guerreira, Mãe .

:-)

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Relato de Parto – MN

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Por que as estatísticas não funcionam com partos?

Eu tinha muita certeza de que minha gestação passaria fácil das 40 semanas. Eu sou publicitária de formação porém com alma de engenheira, ou seja, adoro números e estatísticas. Pesquisei muito durante toda a gestação e “entrevistei” minha médica várias vezes sobre as milhares de estatísticas do mundo da gravidez. E o fato era: a maioria das mulheres passa de 40 semanas, principalmente na primeira gestação (nos próximos filhos tudo fica muito mais rápido já que o útero cria uma “memória”, foi como me explicaram).

E foi por essa estatística que eu estava muito tranquila na 38º semana de gravidez. Estava até dirigindo de tão segura dos números (antes de você me criticar por eu estar dirigindo com 38 semanas… O que me disseram é que existem 2 perigos de dirigir grávida: um deles é sofrer algum acidente e o air bag disparar, mas considerando o curto trajeto em baixa velocidade da minha casa ao meu trabalho as chances eram muito pequenas, além disso, meu carro é automático; o outro é você entrar em trabalho de parto dirigindo, ou seja, quem vai te acudir? Quem?). A tranquilidade era tanta que o colchão do berço ainda estava no plástico e a mala da maternidade estava “meio” feita (apenas a parte da Maria Antônia), afinal, eu tinha, pelos meus cálculos, ainda pelo menos 2 semanas pela frente.

A minha tranquilidade estava totalmente embasada na preparação que eu fiz durante quase 9 meses (e também nos 12 meses que demorei para conseguir engravidar). Descobri tanta coisa sobre o mundo da gestação, principalmente sobre o mundo do nascimento. Pesquisei tanto que resolvi mudar de obstetra com 24 semanas de gravidez. O papo inicial era que “tentaríamos” (prestem atenção neste verbo que vou explicar melhor adiante) o parto normal, mas que se não desse faríamos cesárea.

Eu me encantei pelo mundo do parto humanizado, principalmente depois de assistir ao documentário O Renascimento do Parto (que recomendo que todas as tentantes e gestantes assistam bem no início da gestação) e de ler uma frase de que “o parto era um processo natural e não um processo cirúrgico” (faz sentido, não faz?! Em só 10% dos casos a cesárea é recomendada). Numa das consultas de pré-natal fiz 2 perguntas decisivas (e que recomendo que todas as gestantes façam a seus obstetras caso queiram ter realmente um parto normal): 1) Qual é sua recomendação caso eu passe das 40 semanas de gestação? E 2) Qual sua estatística de parto cesárea versus parto normal? Surpresa: a resposta foi que depois das 40 semanas ele poderia tentar induzir o parto com medicação, se eu que quisesse, e se demorasse muito, iríamos para a cesárea (“não arrisco minha carreira mesmo com um risco ínfimo de mecônio” foi o que escutei). Daí eu perguntei quantas mulheres passaram das 40 semanas, e fui informada que entre 50-70% das mulheres em primeira gestação passam (se a gravidez não tiver nenhum problema a mulher pode ir acompanhando a evolução da gestação quase que diariamente até completar 42 semanas). Bingo! Tá explicado porque nos sistema privado no Brasil quase 90% dos partos são cesárea! Sobre a segunda pergunta, a estatística dele era de 90% de cesárea. Ele era o médico errado para o meu sonho do parto humanizado (e olha que é um médico particular renomado). Penei para conseguir um novo obstetra (a maioria deles não te aceita depois da 20 semana… é algum código moral deles, acho). Depois de muito pesquisar os profissionais famosos pelo parto humanizado (e chorar com vários relatos de parto), descobri a Dra. Andrea Campos da Casa Moara, que só tinha horário para 2 meses depois do dia da minha ligação (é isso mesmo, tinham muitas “doidas” como eu querendo fazer parto normal), mas com muito jeitinho, consegui ser encaixada em poucas semanas.

Descobri uma coisa, a maioria dos obstetras no Brasil, principalmente os com menos de 50 anos, não sabe mais fazer parto normal porque deixaram de ensinar exaustivamente na faculdade as manobras desta quase “arte do nascimento” (e também porque a cesárea é mais fácil e conveniente). Eu considero perigoso insistir no parto normal com um médico, com menos de 50 anos, que não seja pró-parto-normal. Tem muita lenda nesse assunto. Lendas do tipo que bebê não pode nascer sentado… Sim, existe uma manobra que dá para que o bebê nasça pelo bumbum, você sabia? Porém o médico tem que saber fazer essa manobra. A Dra. Andrea sabia, e o melhor, sabia fazer manobras para virar o bebê antes de tentar um parto com o bebê sentado. Sonho de médica (com apenas 12% de cesáreas no currículo e muitos partos realizados). Felicidade pura: Dra. Andrea me aceitou prontamente como paciente na primeira consulta que tive com ela 😀.

E foi a Dra. Andrea que comentou comigo sobre o curso de Hypnobirthing nesta mesma consulta inicial. Pesquisei na internet e encontrei o contato da Lucia e me encaixei na primeira turma que ela tinha livre. Foram 5 segundas-feiras a noite. Adorei o curso. Eu já estava bem segura do parto normal e dos benefícios que ele tinha no curto, médio e longo prazo, mas o curso me ajudou a deixar tudo ainda mais “normal” e natural. Confesso que meu marido se assustou com o nome do curso: “hipnose” é uma palavra com um estigma meio charlatão no Brasil (talvez resquício das aparições televisivas do hipnólogo Fabio Puentes). Não teve hipnose com relógio lá não. O que teve foi muita técnica de desconstrução da semiótica negativa dos termos do parto normal (exemplo: “contração” é chamada de “onda”), de meditação orientada, de mentalização positiva, de técnicas de massagem e relaxamento… e muitos vídeos de parto natural e tranquilo. Lá descobri que “vou tentar parto normal” é diferente de falar “vou fazer parto normal” (a primeira vai acabar na cesárea). Li o livro e escutei o áudio de meditação do Hypnobirthing durante muitas noites antes de dormir. Recomendo. Dica: Leve seu marido com a mente aberta e sem preconceitos que ele vai engajar 100% na onda do parto humanizado.

No dia 30 de julho de 2014, com 38 semanas e 1 dia de gestação, fui trabalhar normalmente. Antes de sair de casa, meu marido, como se estivesse pressentindo algo, perguntou “não quer que eu te leve e busque no trabalho?” e eu respondi “relax, estou super bem pra dirigir… ainda faltam algumas semanas para a Maria Antônia chegar”. Fiz minhas reuniões que tinha cedo e sai pra almoçar com algumas pessoas da minha equipe. Antes de sair para o almoço passei no banheiro. Senti algo estranho… uma cólica forte que parecia ser intestinal. Sentei na privada e nada. Pensei: “será que essa é uma contração de verdade?” Até aquele dia só tinha sentido contrações de treinamento (a barriga ficava dura, mas eu não sentia nenhuma dor). Durante o almoço senti mais 2 contrações e depois voltando para o escritório, senti mais uma contração… Pelas minhas contas elas tinham 10 minutos de intervalo… Será? Será que era o dia da Maria Antônia chegar? Mas eu estava muito tranquila já que (mais) uma estatística dizia que as pessoas ficavam horas em trabalho de parto. Pensei que se aquilo era o início do trabalho de parto, iria demorar ainda horas (a média é de mais de 12 horas) e ela provavelmente nasceria no dia seguinte. Comentei com uma pessoa da minha equipe que estava com contrações e que iria trabalhar de casa a tarde (pedi para ela não fazer alarde). Ela se ofereceu para me levar em casa, mas eu, confiante que ainda faltavam semanas ou que, no pior dos cenários, o trabalho de parto demoraria muitas horas ainda, recusei e fui dirigindo. Liguei para meu marido dizendo que estava sentindo algumas contrações e que estava indo pra casa trabalhar de lá.

No meio do caminho de casa, vieram contrações MUITO fortes. E olha que eu tenho alta resistência a dor. A dor era tão forte que era impossível dirigir. Sorte que eu costumo fazer caminhos alternativos para voltar pra casa. Parei o carro na frente de uma das mansões do Jardim Europa e liguei para meu marido ir me buscar lá. Pedi para ele não correr… Só sei que ele fez o milagre de chegar em menos de 10 minutos lá (risos) e deixou o carro estacionado num lugar proibido (sorte que não foi multado). Devia ser umas 13h30. As contrações já estavam de 6 em 6 minutos nesse momento. Eu estava acompanhando por um aplicativo de celular que eu tinha baixado dias antes. Liguei a Natalia Rea, enfermeira obstétrica que faria parte da minha equipe de parto e disse que teria que furar a consulta de pré-natal com ela naquele mesmo dia as 16h30 já que eu achava que estava em trabalho de parto. Confesso que ela não acreditou muito já que tem muita mulher que sente uma pequena dor e já acha que está em trabalho de parto. O combinado era que ela iria ficar comigo em casa quando as contrações tivessem regulares e de 4 em 4 minutos (para ir para o Hospital apenas quando já estivessem bem na hora do nascimento). Assim que cheguei em casa as contrações já estavam de 4 em 4 minutos. Liguei para ela e pedi para ela ir lá para casa. Mais uma vez, acho que ela não botou muita fé na minha contagem, pediu para falar com meu marido que começou a acompanhar as contrações e confirmou que já estavam quase de 3 em 3 minutos. Ela chegou super rápido em casa. Sorte que ela morava pertinho. A faxineira estava em casa naquela quarta-feira. Tentava ajudar, mas mais atrapalhava que ajudava. Quase cômico.

Depois de um tempo em casa, a Natalia pediu para fazer um exame de toque que constatou que eu já estava com 6 centímetros de dilatação (com 10 cm a Maria Antônia nasceria). Ela disse com toda calma do mundo: “Você é uma parideira, vamos para o hospital” (devo ter puxado a minha avó que teve 12 filhos). Devia ser umas 15h e pouco. Ela foi trocando mensagens com a Dra. Andrea, que parecia também não acreditar num trabalho de parto tão rápido assim, principalmente por ser minha primeira gestação. Na garagem do prédio aconteceu uma cena de filme… Eu gemendo de dor com a cabeça encostada no carro enquanto o vizinho da garagem ao lado, que tinha acabado de estacionar e estava junto com a mãe dele, queria mostrar a foto da filha dele que tinha nascido dias antes. Deu vontade de mandar ele enviar o celular naquele lugar, coitado. As contrações eram muito fortes. Confesso que em alguns momentos no início das contrações pensei… “Dane-se o parto humanizado, eu quero muita anestesia!” Mas por milagre divino, as contrações duravam exatos 60 segundos… Quando eu ia enlouquecer, elas davam uma trégua. A natureza é sábia.

Demoramos mais de 40 minutos para chegar no hospital (em condições normais é cerca de 20 minutos). Estava um mega trânsito na Av. Paulista (sorte que cortamos pela Al. Santos). A Natalia foi no carro com a gente (eu pedi… vai que a Maria Antônia nascia no carro, né?!). Durante todo o trajeto ela apertava o meu quadril para ajudar na dor das contrações. Santa ajuda. Um anjo. Chegamos no hospital Santa Catarina pouco antes das 16h. Logo que chegamos no estacionamento, sentei numa cadeira de rodas e saímos correndo para o centro obstétrico. Foi engraçado ver os seguranças do hospital se falando pelo rádio para agilizar a chamada dos elevadores. E eu gemendo de dor pelos corredores. Todos olhando. Cena de filme. A Dra. Andrea chegou junto com a gente lá no hospital. Não passei por nenhum procedimento regular do hospital, tipo abertura de fichas e afins… Já fomos para a sala de triagem do PS obstétrico. Uma enfermeira de lá fez mais um exame de toque e constatou que eu estava com dilatação total. A Maria Antônia estava pronta para nascer. Nem dava mais para tomar anestesia (apesar de já ter desistido da ideia no meio do caminho, pensei em toda a preparação que eu fiz e em todas as implicações que a anestesia poderia trazer junto com ela). As contrações estavam com menos de 1 minuto de intervalo.

Da triagem fomos direto para a sala de parto humanizado e a Dra. Andrea perguntou se eu queria fazer força. Sinceramente eu não sabia o que queria naquela hora. Daí ela sugeriu que eu fosse para a banqueta de parto. Santa banqueta. A gravidade ajuda muito no nascimento. Meu marido sentou numa poltrona atrás de mim, que estava sentada na banqueta. Dra. Andrea estava sentada no chão, com uns panos embaixo, só esperando a Maria Antônia sair. A Dra. Tiemi Yoshida, pediatra que iria acompanhar o meu parto, chegou uns 15 minutos depois que nós no hospital. Quase que ela não pega o parto. Mais alguns minutos, às 16h23, e 4 “forças” depois, nasceu a Maria Antônia com 47 centímetros e 2,955 kg. E o mais importante, na hora que ela quis nascer (por isso condeno cesáreas eletivas desnecessárias). O parto foi tão tranquilo que ela nem chorou quando nasceu, já foi direto para o meu colo e ficou lá comigo amamentando até a saída da placenta. O papai cortou o cordão umbilical, só depois que ele parou de “bater”. Um sonho. Em pouco mais de 3 horas de trabalho de parto intenso e 100% natural, a Maria Antônia estava ali nos meus braços. O parto foi do jeito que eu queria, só que eu brinco que foi na velocidade 16x do DVD (risos). Foi num ambiente tranquilo a meia luz, com meu marido acompanhando tudo e com a equipe dos sonhos. Foi uma equipe particular, mas que valeu cada centavo. Repetiria tudo novamente.

Investi muito na minha gestação. Foram vários cursos e muitas horas de pesquisa e dedicação nos encontros gratuitos dos grupos de gestantes semanais na Casa Moara (que recomendo também). Eu fui a protagonista da minha gestação. Não deixei nas mãos de ninguém (principalmente de um obstetra que me conduziria para uma cesárea). Estava muito consciente sobre tudo. Acho que foi tudo muito rápido e tranquilo porque eu me preparei muito e não tinha um pingo de medo do parto normal (não usei muito as meditações do Hypnobirthing durante o trabalho de parto, já que ele foi super rápido, mas acho que a “filosofia” dele me ajudou muito a ter um parto rápido e tranquilo). Afinal, como diria o Dr. Jorge Kuhn, “o parto não é um ato cirúrgico, é um ato natural” e deve ser por isso que números e estatísticas não funcionam com ele (risos) 😉

 

Relato de parto escrito por MN, mãe da Maria Antônia, primeira filha.

Participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing em Maio,

o que possibilitou seu rápido parto natural hospitalar, em Julho de 2014.

🙂

Relato de Parto – GL

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A gravidez da Nina foi muito desejada e planejada. Eu queria que muitas coisas fossem diferentes da primeira gestação…

Durante a primeira gravidez eu me informei sobre o parto humanizado, trabalhei minha cabeça e o meu corpo com a Fadynha e curti muito a gestação. Mas no susto da primeira vez, fui tomada de surpresa pela grandiosidade da experiência de parir e o quanto temos que lutar para conseguir que as coisas sejam como a gente quer. E desta vez, além de saber o que eu queria, sabia quais barreiras eu ainda tinha que transpor. A primeira delas, como lidar com a dor. Senti muita dor no primeiro parto e eu sabia que tinha que trabalhar isso. Tinha que haver uma maneira de passar por esse momento de forma mais tranquila. E foi assim que eu descobri o HypnoBirthing.

Li o livro antes mesmo de engravidar e me identifiquei muito com as técnicas de relaxamento. Fiz o curso com a Lúcia Junqueira já grávida e estava muito confiante de que seria mais uma excelente ferramenta para o parto. Também passei a ler o blog da Debra-Pascali Bonaro e aprendi sobre a importância de que cada um busque as ferramentas de relaxamento e prazer que mais se adequam a vc. Com a yoga para gestantes, o convívio com as alunas da Fadynha e escolhida a equipe que iria me assistir e com o apoio do meu marido, me sentia plenamente segura e feliz.

Com 37 semanas deixei de trabalhar para me dedicar aos últimos preparativos do enxoval e ao treino das minhas respirações e técnicas de relaxamento. Com 38 semanas tive um treinamento bem forte. Foram mais de 2h de contrações moderadas, perfeitamente suportáveis. Aproveitei para colocar em prática as respirações e o HypnoBirthing, o que foi ótimo. Dormi e no dia seguinte não tinha nem vestígio das constrações. Um exame de toque, pedido por mim ao obstetra, mostrou que eu não tinha dilatação nem apagamento do colo. Quando completei 39 semanas meus pais chegaram ao Rio e eu me senti ainda mais segura. Tinha a melhor companhia para as caminhadas diárias, eles me ajudavam com o João (meu filho de 2 anos), garantiam o meu descanso e a minha tranquilidade.

E foi com 39 semanas e 5 dias que, no final do dia, comecei de novo a sentir contrações. Na verdade eram cólicas, bem espaçadas e pouco doloridas. Apenas incômodas. Tomei um banho quente por volta das 20h e me chamou a atenção o fato de não passarem como das outras vezes. Às 22h mandei uma mensagem para a minha doula, Fadynha, contando das cólicas, mas não tinha nenhum outro sinal. Elas estavam bem espaçadas ainda e eu não quis medir a frequencia. Meu marido se deitou ao meu lado para descansar, era preciso se preparar caso a Nina resolvesse finalmente vir! A partir daí as coisas não ficaram muito claras na minha cabeça, mas vou contar aqui como foi que eu vivi o que veio depois.

Acordei com uma contração bem forte por volta da meia-noite. Até eu entender o que estava acontecendo, a contração passou. Levantei, fui até a sala e o meu pai estava assistindo um programa bizarro do mundo animal. Aquilo me distraiu bastante, mas em 15 minutos veio outra contração e eu instintivamente me ajoelhei no sofa e apoiei meus braços sobre o encosto. Meu pai me apoiou e me disse para aguentar firme. Respeirei bem e passou. Achei melhor voltar para o quarto, fazer o relaxamento novamente e tentar dormir. Passei um tempo na cama, na mesma posição que tinha adotado no sofa, por três contrações. Tentava relaxar, pensava na imagem da rosa se abrindo. Resolvi ir para o chuveiro, mas disse ao meu marido que não precisava medir a frequência ainda porque estavam muito espaçadas, era só o começo do trabalho de parto. No chuveiro o alívio foi imediato. No início fiquei acocorada, apoiada na banheira. E logo pedi a bola. Perfeito! As contrações eram fortes e exigiam concentração e respiração.

Achei melhor ligar para a doula (ou foi meu marido que sugeriu e eu aceitei, não me lembro…). Eram 00:46. Quando o Ricardo desligou o telefone com ela a bolsa estourou e eu vomitei. Pensei: ótimo, abre em cima, abre em baixo! Vamos lá! A Nina está chegando! Achamos melhor ligar para o Xico, meu obstetra, apesar de termos combinado com ele de ligar quando as contrações durassem 1 minuto, ainda duravam 40 segundo nos nossos cálculos. Pedi para o meu marido fazer massagem no sacro durante as contrações, como se estivesse abrindo e com força. Era disso que eu precisava: a água quente nas costas, inspirar e expirar pelo nariz, o mais lentamente possível e a massagem do meu marido. Se uma dessas coisas falhasse, a dor vinha com tudo! Logo pensava que não aguentaria. Era insuportável! Se eu conseguia fazer essas coisas todas juntas, passava pela contração bem mais tranquila, sem sofrimento, apenas sentindo uma cólica forte. E sempre mentalizava a rosa se abrindo. O pensamento positivo voltava! O Ricardo também me trouxe uma toalha molhada bem quentinha para colocar na minha barriga e a sensação era maravilhosa. Enquanto isso eu continuava dizendo o que queria, pedia silêncio quando ele falava com a minha mãe, pedia para ela fechar a porta do banheiro porque tinha frio, pedia para o Ricardo não sair de perto e ficar posicionado! Até pedi para ele colocar uma toalha no chão porque ele poderia machucar os joelhos naquela posição. Controle total de tudo e todos! Rsrs! E ele muito paciente dizia as coisas que eu havia combinado com ele que queria ouvir. Me incentivava, me dizia para deixar a natureza agir, para eu me abrir, dizia que era a Nina chegando, que estava tudo correndo bem.

Às 1:46 a Fadynha chegou no meio de uma contração, o Ricardo ensaiou uma saída do box que eu recusei veementemente. Não queria mudar nada no esquema que estava funcionando tão bem. O Xico ligou avisando que estava tudo certo para irmos para a Perinatal de Laranjeiras, ele estava à caminho. Não me via saindo do chuveiro. A minha mãe (que a essa altura não saía do lado da porta do banheiro, embora de fora) foi esquentar as bolsas de gel e o meu saco com sementes, preparou as cangas para amarrar na minha cintura e trouxe a roupa para eu vestir. Antes de levantar da bola me descontrolei durante uma contração pensando no caminho de carro até a Perinatal e disse que não queria mais nada, que queria acabar com aquilo e tomar anestesia. O Ricardo disse que nessa hora ficou apreensivo, que ele também achou que fosse só o início do TP e que eu já estava falando em desistir… Aliás, a partir desse momento passei por todos os clichês do parto. Esse foi só o primeiro.

Levantei para me trocar e senti uma vontade imensa de fazer coco. Pedi para todo mundo sair do banheiro. A Fadynha juntou essa frase com a anterior e percebeu que o expulsivo estava próximo. Me pediu para sair da privada. Eu obedeci, mas sem acreditar naquilo. Foi quando senti o primeiro puxo e saiu de dentro de mim um urro que deve ter acordado o prédio todo. Senti que a Nina desceu, que algo estava diferente e disse que não dava tempo de ir para lugar algum. Eu queria entrar na banheira. Fiquei muito preocupada. Não esperava por aquilo, achava que estava no início do trabalho de parto, que eu realmente não estava indo longe com todo aquele preparo que eu tinha feito durante a gestação e eu tinha receio de um parto domiciliar. O Ricardo correu para encher a banheira. A Fadynha ligou para o Xico (2:08) e disse que não dava tempo de ir para a Perinatal. Foi aí que veio o segundo puxo. Me joguei nos braços do Ricardo. Me lembro de ter visto o ombro dele e senti uma vontade imensa de mordê-lo, mas fiquei com medo de arrancar um pedaço e me contentei em apertar os seus ombros. Outro urro gigantesco de acordar a vizinhança. Entrei na banheira mesmo com o meu marido dizendo que a água estava muito quente ainda, dei um pulo para fora da banheira que nem eu acreditei! Queimei meus pés. Minha mãe trouxe um balde de água gelada e finalmente consegui entrar na banheira.

Adotei a posição escolhida desde o início, de joelhos, apoiada na beira da banheira. Já sentia a Nina no canal. O Ricardo ficou atrás de mim e eu gritei: vai nascer!!! A Fadynha me dizia para não fazer força, para esperar o Xico e eu respondi com um simples IMPOSSÍVEL. A natureza fazia seu papel, eu não tinha controle, nem queria ter. Avisei quando senti o círculo de fogo. Nina coroou e eu botei a mão para sentir a cabecinha dela. Notei que o períneo estava íntegro, que a cabecinha dela logo sairia por completo e me enchi de felicidade. Também me lembrei dos relatos de parto em que as mulheres diziam não sentir dor durante o expulsivo e no puxo seguinte pude perceber que era isso mesmo. Não sentia nenhuma dor, apenas a pressão de intensidade ímpar, a força daquele momento maravilhoso! E tratei logo de explicar isso para todos, principalmente para que meus pais ficassem tranquilos, que os meus gritos não eram de dor. Pedi para a Fadynha fazer uma massagem circular no sacro, com o punho e isso me acalmou ainda mais. Foi aí que saiu a cabecinha dela. O Ricardo falou atrás de mim “está nascendo, está nascendo”. Segurou a cabeça dela e eu fiquei amparando o corpinho que também escorregava para fora. Nesse momento e para alívio dele o Xico abriu a porta do banheiro e se ajoelhou do lado da banheira. Às 2:19, com duas horas de TP ativo, 11 minutos de expulsivo, nasceu a nossa princesa!!! Em casa como eu sempre sonhei, mas não planejei. Com a cumplicidade total do meu marido, dos meus pais e do meu filho João, que mesmo com todos os meus urros, não acordou e só conheceu a irmã de manhã no dia seguinte. Tendo meus queridos Xico e Fadynha como testemunhas. O Xico a recebeu, botou ela nos meus braços e eu fiquei namorando a minha pequena dentro da banheira enquanto todos comemoravam. Lembro de ter visto o Ricardo emocionado e sorrindo.

Fiquei na banheira por um bom tempo, a placenta demorou a sair e eu estava me sentindo bastante desconfortável. Quando o cordão parou de pulsar, o cordão foi amarrado com gaze (que o Ricardo foi comprar correndo, ainda molhado enquanto eu estava na banheira) e cortamos o cordão. A Fadynha me ajudou a me limpar e finalmente fui para a minha cama. O Xico me examinou enquanto minha mãe vestia a Nina com a roupinha que eu havia escolhido. Uma laceração minima, que não precisava suturar. Que alegria! Ela nasceu com 3,735 kg. Ficamos lá conversando no meu quarto, curtindo aquela oxcitocina toda, comemorando. Minha mãe estava radiante, meu pai dizia que eu era mesmo muito determinada, meu marido sorria, feliz e aliviado, o Xico contou como fez para chegar em 11 minutos da Gávea até a Praça General Osório e a Fadynha, incansável, atendia a todos os meus desejos. Foi muito importante para mim ter encontrado as ferramentas adequadas para o meu relaxamento. O HypnoBirthing funcionou muito para mim! Me surpreendeu a rapidez do trabalho de parto e a tranquilidade com que eu passei por todas as etapas, apesar das coisas terem acontecido de forma não planejada.

Viva a Nina, que nos brindou com o parto dos sonhos e mudou a nossa vida para sempre!

Lúcia Junqueira, muito obrigada por ter me ajudado a encontrar o meu caminho!

Relato de parto escrito por GL, mãe de um menino

de 2 anos e uma recém-nascida de 1 dia (quando escreveu o relato).

Participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing em Maio

e teve seu lindo, rápido e “não planejado” parto natural domiciliar em Outubro de 2014

:-)

Relato de Parto – DV

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“Os bebês vêm quando eles estão prontos, não na data prevista”

Minha data prevista para o parto era 5 de maio do 2012. Realmente datas são uma coisa engraçada, pois elas podem te deixar ultra animada ou super assustada!!! Bem, para mim, definitivamente era a última e ela foi me assustando tanto que eu estava tendo pesadelos sobre o parto, me perguntando se eu iria ser capaz de parir como milhões de mulheres fizeram antes de mim.

Haviam duas coisas que estavam claras para mim: 1) Ser cortada não era uma opção, 2) Eu queria um parto na água. Então eu comecei pesquisando maneiras de me ajudar com meus medos e me deparei com uma técnica chamada HypnoBirthing.

“HypnoBirthing é um programa simples e sério, cuidadosamente desenvolvido ao longo dos anos para lembrar às mães a simplicidade do parto. Assim como a maioria das mulheres parindo não necessitam de intervenções e procedimentos para um parto seguro e saudável, não é necessário um conjunto complexo de exercícios e roteiros para se preparar para um parto tranquilo, calmo e confortável. O corpo de parto e o bebê sabem exatamente o que fazer. O HypnoBirthing foi projetado para ensinar as mulheres a confiar na forma de parir da Natureza e para relaxar e deixar seus corpos fazerem o que é necessário. Pela prática de algumas técnicas principais, as mães programam suas mentes e condicionam o corpo para o nascimento facilmente. Quando se trata de programação e condicionamento, a variedade de coisas não é necessariamente uma boa opção. A repetição é o que garante o melhor resultado”.

Quanto mais eu lia sobre o HypnoBirthing, mais eu acreditava nele e uma semente de esperança foi plantada no meu coração. BINGO, isso era exatamente o que eu precisava fazer para alcançar o parto que eu queria. Então eu fiz o curso e pratiquei todos os dias (bem, quase todos os dias). Quanto mais eu praticava, mais confortável eu ficava sobre todas as coisas do parto.

Então, no dia 29 de abril, eu acordei me sentindo muito cansada, mas cheia de energia e com um desejo de limpar e arrumar a minha casa. Passei a maior parte do dia ordenando coisas ao meu pobre noivo e ficando exausta. No entanto, no final do dia eu estava me sentindo absolutamente feliz com a forma como tudo estava exatamente onde e como foi concebido para estar. Segunda-feira, 30 de abril acordei cedo com cólicas muito leves e, mais tarde, eu percebi que eu estava sangrando um pouco. Então, eu liguei para minha maravilhosa parteira Julie Mountain e ela me disse que poderia ser o chamado “indício de parto”, que eu deveria descansar, tomar um banho e ter calma, mas para chamar se alguma coisa mudasse. E tomar um banho foi exatamente o que eu fiz, apesar de que, estando tão grande como eu estava, eu não precisava de encorajamento para entrar no banho. Após cerca de duas horas em belo banho quente eu saí com cheiro de lavanda e com fome. Então, eu almocei e finalizei-o com algumas fatias de abacaxi doces. Deitei-me no sofá para descansar e de repente ouvi um estouro muito alto e eu senti a água que saía por entre as minhas pernas. Eu acho que eu nunca me mexi tão rápido na minha gravidez inteira quanto naquele momento e muito menos com 39 + 2 dias de gravidez. Eu me levantei e fui ao banheiro investigar. Fiquei surpresa ao encontrar aquela coisa gelatinosa, se assentando na minha calcinha, me encarando. Muito animada eu liguei para minha parteira que me disse para ir ao hospital para verificar. Liguei para o meu noivo no trabalho e ele voltou para casa para me ajudar a terminar a preparar a mala do hospital. A esta altura, as ondas estavam ficando mais próximas, mas eu podia administrá-las facilmente com minhas técnicas de respiração.

Por volta das 15:30hs entramos no carro para ir ao hospital e chegamos lá logo após 16hs. Fomos direto para o Centro de Parto e entregamos nosso Plano de Parto. A parteira de plantão estava muito satisfeita por fazer o que nós queríamos e decidiu verificar a minha dilatação. As ondas tinham se tornando mais próximas umas das outras e mais intensas, mas eu ainda podia administrá-las com a Respiração e as Afirmações que eu estava ouvindo para me manter positiva e calma. Finalmente, após cerca de 30 minutos, ela conseguiu verificar que eu tinha 4 cm de dilatação!! Eu fiquei muito feliz porque ter 4 cm de dilatação significava que eu poderia ficar no hospital em vez de ter que voltar para casa para esperar as coisas progredirem. Logo depois que ela verificou, eu fui transferida para a sala de parto. Eu fiquei apaixonada pela sala de imediato, pois ela parecia um quarto de hotel muito bom, com uma banheira acolhedora no canto direito. Neste momento, as ondas estavam ficando cada vez mais fortes. Eu estava me sentindo mal e decidida de que eu precisava de anestesia e ar, o que não foi a melhor ideia porque me fez perder o foco e parar de usar a minha técnica de respiração, me fazendo entrar em pânico. Eu comecei a acreditar que eu não ia mais ser capaz de lidar com aquilo. A parteira de plantão me perguntou se eu não queria entrar na banheira e assim que eu entrei, me senti completamente relaxada e a dor tornou-se muito mais suportável. Eu pude me concentrar novamente na minha respiração e depois de cerca de 3 ondas fortes, minha linda menina nasceu. Olhar para ela na água foi o momento mais mágico e especial da minha vida. Eu a peguei e a segurei em meus braços, ela parecia tão pacífica e tão bonita. Naquele momento, eu soube o que é o verdadeiro amor.

Siena de Barros Lenton nasceu depois de apenas 1h30 minutos de trabalho de parto, às 17:25hs, na segunda-feira 30 de abril de 2012, pesando 3,4 kg, no Centro de Parto White Horse em Swindon , Reino Unido.

 

Relato de parto escrito por DL, brasileira, residente na Inglaterra

há muitos anos, local onde participou do Curso de Preparação para o Parto

HypnoBirthing e teve seus dois partos tranquilos e felizes. Este é o relato de parto de

sua primeira filha e seu desejo, por suas palavras é: “Meu sonho é que todas as mulheres

possam usar HypnoBirthing pra um parto Tranquilo e sem traumas!!!!”

“Sou eternamente grata por ter conhecido essa técnica!!!!!!!”