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Relato de Parto – FR

Categoria: Relatos de Parto HB |
Foi no dia 12/01 (2015), uma segunda-feira, quando caiu uma chuva que deu um nó no trânsito de São Paulo…Eu comecei a ter cólicas um pouco fortes no final de semana, mas não sabia que essas cólicas poderiam ser as ondas.No domingo de noite, tive uma espécie de sensação de compressão no tendão da musculatura interna da coxa, e fiquei me perguntando se a bebê não tinha descido um pouco mais, se encaixado melhor, e se não estaria chegando a hora dela nascer. Eu estava com 39 semanas e 2 dias.

Na madrugada de domingo para segunda, tive muita cólica, e fiquei sonhando que eu estava em trabalho de parto. Acordei antes de amanhecer e tive uma diarréia. Foi aí que eu confundi tudo. Achei que a cólica, apesar de ser claramente menstrual, estivesse associada à diarréia. Tive 4 diarréias no decorrer do dia. A cólica aparecia sempre que eu levantava ou sentava e na maior parte das vezes, ela vinha numa “onda”: vinha a cólica, ela ficava intensa, super intensa, e aí passava. À tarde, começou a ficar mais intensa. Só que, como era dia de faxina, eu deixei o meu marido (nós dois trabalhamos em casa) cuidando de pagar e despachar a empregada, e fiquei na cama, de repouso, sozinha no quarto. Liguei para a minha mãe… quando eu contei tudo o que estava sentindo, ela me disse que eu estava em trabalho de parto porque com ela os sintomas foram iguaizinhos. Depois do curso de HypnoBirthing, eu gravei os relaxamentos com a voz dela, e isso teve  um efeito poderoso nessa hora. Falar com ela ao telefone me relaxou; ela perguntou se eu estava contando o tempo entre um aperto de cólica e outro. Eu falei que estava mais ou menos, que eu podia dizer que estava tendo poucas a cada hora, mas que doía muito. Ela falou para eu lembrar do curso, fazer as respirações, relaxar, e ligar para a doula e a obstetriz.

Eu mandei mensagem no WhatsApp para ambas, mas só mais tarde. Nesse momento, eu relaxei tanto que caí no sono. Dormi meia hora até acordar novamente com a cólica. Aí eu tive certeza que estava ainda bem no comecinho, porque claramente não era regular (antes de dormir, eu estava tendo mais do que uma cólica por hora, e elas não davam 30 minutos de intervalo, e sim bem menos). Aí a minha mãe ligou de novo, para saber se eu tinha avisado o meu marido, e se tinha avisado a obstetriz e a doula. Meu marido veio em seguida no quarto para saber como eu estava e eu pedi para ele dispensar a faxineira imediatamente, só que aí a dor foi ficando tão intensa que eu não tinha vontade de falar. Fui ao banheiro, sentei na privada, e percebi que doía menos se:
– eu ficasse lá… tentar deitar de novo na cama, nem pensar!
– eu não falasse nada durante a onda
– ninguém tentasse falar comigo durante a onda
– eu me concentrasse nas respirações, tanto entre as ondas como durante
– se eu pensasse na imagem da flor abrindo e relaxasse totalmente a musculatura abdominal
– se eu lembrasse da voz da minha mãe, calma ao telefone, falando para eu lembrar de respirar e relaxar, falando que eu era forte e que ia dar tudo certo

Aí a dor ficou totalmente suportável, a “cólica” era tolerável, era mais um desconforto do que uma dor. Ainda assim, na minha cabeça às vezes passava que talvez eu precisasse tomar anestesia, porque eu imaginei que estivesse muito no começo ainda (por causa dos 30 minutos que eu tinha tido há pouco sem contração), e que eu talvez tivesse que ficar mais de um dia nesse processo. As ondas eram meio irregulares, mas no geral vinham a cada 10 minutos. Depois foi ficando mais intenso e o meu marido ficou tentando falar com a doula e a obstetriz, sem ter certeza se eram ondas mesmo, no duro, por causa da irregularidade e por que eu não sentia nada além da cólica (tipo: “será que a onda é isso mesmo?” “O que vc acha amor?” E eu mostrava para ele o aparelho celular, onde tinha um aplicativo de contar o tempo das ondas e a única coisa que eu tinha que fazer era apertar o botão quando começasse e o outro quando terminasse).

A obstetriz estava em um parto e por isso ela ainda não tinha vindo me checar. E a doula, que conseguiu falar com meu marido, também achou que estava no começo, mesmo porque eu não conseguia falar com o meu marido e ele é uma pessoa muito calma. Ele não tinha pressa, achou que eu estava super tranqüila e também imaginou que fosse o começo. Ela pediu para ele perguntar se estaria tudo bem ela acabar um atendimento, e ela viria em seguida, ou se eu achava que não dava para esperar. Eu falei que tudo bem… afinal, o que eram 30 minutos num trabalho de parto que ainda estava no começo? E ela pediu para ele perguntar se eu não queria que ele chamasse a minha mãe, falou que ela estava muito preparada para ajudar nessa hora. Eu quis que ela viesse. Ele também tentou falar com a minha médica, e ela quis falar comigo ao telefone. Eu falei com ela como pude, entre uma onda e outra, e ela deu um apoio, falou que a obtetriz estava num parto mas que ela já estava vindo.Resultado: quando já anoitecia, e deu o nó no trânsito, a minha mãe estava a caminho de casa (ela mora na Aclimação, e eu, em Osasco), a doula estava tentando chegar, e a obstetriz idem. Só que as membranas foram liberadas, escorreu um líquido na privada, e as ondas ficaram muito frequentes. Eu comecei a sentir uma pressão lá embaixo, e foi aí que caiu a minha ficha: “Que anestesia que nada. Que começo de trabalho de parto que nada. Eu estava entrando em uma nova fase do trabalho de parto, e a bebê iria nascer naquele dia mesmo”.
Aí eu tentei sair da privada (não me pergunte porquê) e sentar na minha cama… percebi que meio reclinada era a pior posição para eu ficar, e de repente, numa onda, a minha barriga “ondulou” (foi a sensação que eu tive). Foi o primeiro momento em que senti algo além da “cólica”. Eu fiquei assustada, me ocorreu que ela poderia nascer antes de alguém conseguir chegar. Para o meu alívio, tocou o interfone e era a obstetriz. Eu pensei: “Pronto! Ela vai ver que eu estou com mais de 4 cm e nós vamos para o hospital”. Foi o que aconteceu. Eu estava com 9 cm, e ela me ajudou a me vestir. Nessa hora, as ondas eram sempre acompanhadas da ondulação na minha barriga e eu não conseguia falar mesmo (durante a onda, a minha voz era tremida, e entre as ondas, eu conseguia falar, mas era um grande esforço e eu só queria silêncio). Ela falou para eu tentar não fazer força. Para mim, era quase impraticável, e eu sentia muita pressão lá embaixo, no reto, e sabia que a cabeça dela estava descendo. Eu avisei a obstetriz e ela e meu marido saíram correndo comigo para o hospital.No carro, eu falei para a obstetriz que a bebê estava descendo. Ela tirou o cinto de segurança e as minhas calças, me fez reclinar um pouco, verificou que já dava para sentir a cabeça da minha filha; pediu para eu não fazer força, eu falei que não conseguia não fazer força – nessa hora, não consegui lembrar de fazer a respiração do curso, nem consegui controlar mais nada… era difícil concentrar em qualquer coisa com o meu marido buzinando e dirigindo correndo para tentar chegar ao hospital a tempo. Aí a bebê nasceu, na frente do Shopping Butantã, a 10 minutos do hospital, às 20:34 da noite. Isso foi tipo 15 minutos depois de a obstetriz ter checado que a minha abertura era de 9 cm. A obstetriz pegou a bebê, pegou a camiseta que o meu marido estava usando, tirou a bebê das membranas (sim, as membranas tinham se rompido mais cedo, mas elas se romperam só um pouquinho, na parte alta do útero, e por isso ela nasceu nas membranas) e a colocou sobre meu peito. Eu fiquei frustrada, porque eu queria que ela fosse para o meu peito, mas eu estava de camiseta. Eu não lembro do choro dela, não lembro da cara dela na hora que ela nasceu. Tudo o que eu lembro são as sensações. Ela estava lá, em cima da minha camiseta, toda molhada, e eu tentava segurar a cabeça dela que pendia de um lado para o outro a cada curva, a medida que o meu marido tentava chegar no hospital.Chegamos bem no hospital, um pouco com cara de loucos… imagine a cena: mulher sem calça no banco de trás, com um cordão pendurado, preso a um bebê no colo, homem com cara de louco, sem camisa, no banco do motorista. A única pessoa que conseguia se comunicar direito com a equipe do Einstein era a obstetriz, que avisou que a bebê tinha nascido no carro. Me colocaram numa cadeira de rodas, e para a minha felicidade, a equipe toda chegou logo em seguida. Aí a gente foi para o centro obstétrico, o meu marido pôde cortar o cordão, tiraram a minha camiseta, e etc. Eu tive uma laceração de grau 1 e a médica achou que nem precisava dar ponto. A bebê estava ótima 🙂

Minha mãe e meu marido ficaram um pouco frustrados por terem perdido o parto: minha mãe chegou em casa uns 3 minutos depois que a gente saiu para o hospital (e ficou na chuva esperando a minha irmã apanhá-la e ir com ela e meu pai para o hospital) e meu marido não pode ver a filha nascendo, só ouviu o grito dela. Muitas coisas foram bem diferente do que eu imaginei: eu tentei escutar o relaxamento do arco-íris, mas a única coisa que me acalmou foi a voz da minha mãe (a voz da minha gravação do relaxamento); meu marido tentou fazer massagem quando chegou no quarto, mas neste momento a onda era intensa demais para isso… eu só queria o chá gelado que estava na geladeira e silêncio completo; o trabalho de parto evoluiu muito mais rápido do que esperávamos, mas assim como eu sonhava, não tive dor nenhuma no hora do nascimento da bebê: só a senti passando pelo caminho do nascimento e nascendo! Durante o trabalho de parto, as ondas eram mais um desconforto do que uma dor. Tenho certeza que o HypnoBirthing fez a diferença 😉

Relato de parto escrito por FR, mãe de primeira viagem que

participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing

em Dezembro de 2014 e teve seu rápido parto natural

a caminho do hospital em Janeiro de 2015.

Uma resposta para “Relato de Parto – FR”

  1. Gabriela disse:

    Lindo relato! Super emocionante! Comigo a percepção do estágio do TP também ficou confusa pela maneira suave com que passei pelas ondas ao respirar e relaxar o abdômen lembrando da flor se abrindo. Minha filha acabou nascendo em casa porque não houve tempo de ir para o hospital. Muitas felicidades e parabéns para vcs!

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