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Relato de Parto – MS

Categoria: Relatos de Parto HB |

“Depois de quase 1 ano do parto e depois de algumas tentativas iniciadas, porém não finalizadas de relato de parto, fui inspirada e motivada a finalizar devido a um episódio que vivi com minha bebê essa semana. Fiquei quase um ano de licença e voltei há pouco tempo a ativa. Resolvi colocar a Alice num berçário próximo ao meu trabalho e no caminho de casa, no meio de um persistente choro da Alice, coloquei o CD que recebemos no curso de HypnoBirthing com as afirmações; eis que a Alice parou de chorar. E olha que nem ouvi esse CD na gestação, pois como estava em inglês acabei fazendo minha gravação e não usei, mas de alguma forma ela relaxou.

 

Me fez relembrar do poder desse método. Meu relato é sucinto (assim espero) e na gestação após iniciar as práticas de respiração vi o quanto estavam sendo úteis e funcionais nas ondas de treinamento: aliviava a pressão e o desconforto. Nas últimas semanas com a ansiedade a flor da pele, eu pedia muito pra sentir as ondas, pedia ainda para serem cada vez mais intensas e eu sabia que a dor era um indício de início do processo de nascimento. A contradição querer sentir e não sentir a dor ao mesmo tempo, eu achava que quando ela viesse eu teria a chance de controlar. E assim foi.

 

Conforme o combinado com o papai e a mamãe (ele queria que a Alice nascesse numa segunda e eu queria entrar em TP na hora em que ele estivesse em casa), no sábado no almoço perdi um pouco do tampão, a noite por volta das 11 horas sentia as ondas vindo com mais intensidade, coloquei a filha mais velha na cama, Mariana, e fui me deitar; não consegui ficar muito na cama, levantei e fui pra sala por volta das 1:30h. Apesar de espaçadas, as ondas estavam cada vez mais intensas, vinham de 20 em 20 min. Eu cochilava entre elas. Por volta das 5:00 h meu marido levantou pra ir trabalhar, ele meio sem noção que poderia engrenar, enchemos a piscina de plástico que ainda estava vazia. Logo percebi que o intervalo entre as ondas tinham diminuído, nessa hora já estava me utilizando das bolsas de água quente e comecei a contar as ondas: o intervalo entre uma e outra estava regular de 5 em 5 min. Pedi pra ele ligar pra Enfermeira Obstetra que me acompanhou e para a Doula, era 6:00h. Ela chegou por volta das 7:00h me examinou e não conseguiu constatar a dilatação pois eu estava sentindo muito incômodo no exame, mas disse que a bebê estava bem baixa; pedi pra ir pra água e ela disse que podia; entrei na banheira enchendo, que estava debaixo do chuveiro e lá eu fiquei até o nascimento da Alice.

 

Como eu havia treinado a respiração de uma forma que eu projetava minha coluna um pouco pra trás durante a onda e na hora do “vamos ver” eu não consegui devido ao forte incômodo, precisei me adaptar àquela circunstância e usei a respiração que aprendi do método entoando um som, uma espécie de mantra ao expirar. E assim, permaneci na banheira umas duas horas pelos cálculos. Ouvindo as afirmações e relaxamento, aliado a água quente, quase pelando, diga-se, posso dizer que consegui um controle total da dor. Importante enfatizar que a dor estava lá, porém com técnica, concentração, preparação de um ambiente tranquilo e métodos naturais de alívio da dor eu consegui controlar. Tive que manter um ponto de equilíbrio, posição certa, água sempre quente, respiração, entoando um “mantra” e ouvindo as afirmações e exercício de relaxamento que foram cruciais.

 

Após 2 horas na banheira, a parteira ao perceber que a Alice podia estar no caminho do nascimento perguntou e pediu para que eu checasse. Na segunda vez que ela pediu minha resposta foi afirmativa e a primeira coisa que pensei ao sentir a cabeça dela foi: “Já?”. Eu estava com receio desse momento, pois estava anestesiada no primeiro parto e ao simular esse momento com o uso do Epi-No senti forte ardência algumas vezes, imaginando que na hora do nascimento iria arder muito mais. Porém, pra minha surpresa senti um certo ardor em uma das ondas e me preparei pra sentir mais forte nas próximas, mas daí em diante a dor foi zero. As ondas muito intensas, gritos involuntários e a saída tranquila e rápida dela, duraram cerca de 5 minutos no caminho do nascimento.

 

A ficha demorou muito a cair do que havia acontecido, diferente do que aconteceu no primeiro parto quando senti um êxtase muito grande logo após o nascimento da Mariana. No nascimento da Alice a palavra que uso pra descrever é “equilíbrio”, é essa a palavra que melhor define.

 

Em quase um ano após o parto da Alice me surpreendo vez ou outra quando muitas pessoas comentam comigo da repercussão, de terem visto as fotos, de acompanharem o crescimento da Alice; após terem se surpreendido com o meu parto, algumas pessoas se encantaram ao ouvir meu relato de parto domiciliar e tenho certeza que algumas sementinhas vão sendo plantadas. Espero que muitas famílias possam ser agraciadas com o método.

 

Obrigada Lúcia por ser nossa referência no Brasil do HypnoBirthing, por sua forma generosa e graciosa de conduzir esse lindo trabalho. Minha família agradece”.

 

 

 

Relato de parto escrito por MS,

enfermeira obstétrica e mãe da pequena Alice de quase 1 ano,

que realizou o Curso de Preparação para o

Parto HypnoBirthing em Maio de 2015.

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